Sensibilidade ao glúten, mito ou realidade?

  • nov 20, 2019
sensibilità al glutine

Que confusão este glúten! Faz bem? Faz mal? Engorda? A sensibilidade ao glúten é real?

A dieta sem glúten está na moda e, não por acaso, o mercado de produtos sem glúten sofreu um boom de crescimento nos últimos anos. Mas o que exatamente é o glúten? Quais indivíduos devem evitá-lo? Nesta matéria, tentarei esclarecer sobre quais são os verdadeiros perigos do glúten para nossa saúde.

O que é o glúten?

O termo glúten indica um grupo de proteínas (também chamadas prolaminas) presentes nos cereais como trigo, cevada e centeio, que dão elasticidade e estrutura a produtos como: pão, pizza, massa e farináceos. No caso do trigo, quando combinamos a água com a farinha, duas proteínas presentes (gliadina e glutenina) se unem para formar uma mistura caracterizada por sua viscosidade, elasticidade e coesão: o glúten!

As proteínas do glúten são, por sua própria natureza, difíceis de digerir e resistentes à ação das enzimas da protease. Elas atingem o intestino delgado ainda parcialmente intactas, na forma de peptídeos, ou longas cadeias de aminoácidos. Se absorvidas e veiculadas pela circulação sanguínea, estas proteínas podem desencadear reações autoimunes, como é o caso da doença celíaca.

Mas o glúten faz mal para todo mundo?

A resposta é não. No entanto, o estado inflamatório que a ingestão dessa proteína causa no intestino está se mostrando cada vez mais evidente em nossa sociedade.

Os produtos que contêm glúten são considerados pró-inflamatórios por vários motivos, alguns relacionados à natureza do glúten, outros às tristes vicissitudes da indústria agroalimentar. A indústria moderna tem aumentado gradualmente a toxicidade dos produtos farináceos, empregado farinhas com uma alta percentagem de glúten e diminuído os tempos de fermentação da massa.

Dito isto, é tranquilo afirmar que, para a maioria das pessoas, não haveria razão específica para limitar o consumo de glúten, não sendo uma substância prejudicial em si mesma.

 No entanto, existem situações especificas em que o consumo de glúten cria problemas de saúde. Hoje conhecemos três doenças relacionada ao glúten:

1) a alergia ao trigo, uma verdadeira reação alérgica;

2) a doença celíaca, uma doença autoimune;

3) a sensibilidade ao glúten não celíaca, uma reação inflamatória ainda sem definição.

Sensibilidade ao glúten

A alergia ao trigo é uma reação imune do nosso corpo às proteínas do trigo com a produção de anticorpos específicos que podem assumir formas diferentes em crianças e adultos, como acontece no caso do pólen ou da poeira. As manifestações podem variar de dermatite, eczema, rinite, asma e dor abdominal. O diagnóstico é feito através de um exame de sangue específico para procurar os anticorpos específicos.

A doença celíaca é uma doença autoimune estimada em 1-2% da população mundial. Pessoas com essa condição desenvolvem uma verdadeira reação autoimune ao consumo do glúten, desencadeando uma inflamação crônica do intestino que, a longo prazo, destrói as paredes intestinais, aumentando sua permeabilidade e, assim, abrindo caminho para uma série de outras patologias autoimunes.

Os sintomas da doença celíaca são frequentemente evidentes: diarreia, constipação, vômito, refluxo, mas também deficiências vitamínicas e anemia associadas à má absorção. Em alguns casos, a doença celíaca também pode ser silenciosa e permanecer sem diagnóstico por anos. O diagnóstico pode ser feito através de exames de sangue para procurar anticorpos específicos (diferentes dos anticorpos da alergia ao trigo) ou através de uma endoscopia com biópsia das paredes intestinais. O único tratamento para essa condição é a eliminação total do glúten.

Recentemente confirmada é a sensibilidade ao glúten não celíaca, uma reação inflamatória que ocorre após o consumo de alimentos que contêm glúten, e que se estima atingir cerca de 1-6% da população. É caracterizada por distúrbios do trato gastrointestinal semelhantes à doença celíaca, combinados com um quadro de fadiga crônica, confusão e dor de cabeça. A sensibilidade ao glúten não celíaca também pode causar corrimento na pele, dor muscular e produção de muco.

Esse tipo de distúrbio não danificaria as paredes intestinais, nem ativaria um mecanismo autoimune. Não existem testes cientificamente reconhecidos para essa síndrome e o diagnóstico é simplesmente baseado nos sintomas, depois te der excluído as outras duas doenças relacionadas ao glúten.

Como testar sua sensibilidade ao glúten?

Uma vez eliminadas as hipóteses de alergia ao trigo e a doença celíaca, é possível testar a sensibilidade ao glúten por meio de uma dieta de eliminação que remove todos os alimentos que contêm glúten da alimentação por pelo menos quatro semanas. Durante o período de abstenção estrita ao glúten, é aconselhável manter um diário alimentar para observar melhorias na energia ou digestão, mas também as dores de cabeça clássicas da abstinência, que sinalizam um reequilíbrio gradual do intestino que libera as toxinas acumuladas ao longo do tempo.

Enfatizo que a dieta de eliminação não é uma dieta de restrição calórica, mas, se combinada com uma dieta saudável à base de vegetais e uma melhora nas condições digestivas, também pode ter efeitos de emagrecimento.

No final das quatro semanas, é possível reintroduzir os alimentos que contenham glúten, gradualmente e em pequenas doses, para monitorar as reações do corpo e avaliar a real tolerância a essa proteína.

Dependendo da nossa bioindividualidade, ou seja, do conjunto de características que nos tornam únicos e com necessidades específicas, mesmo quando digerimos, é possível decidir se e como reintroduzir o glúten da dieta.

Qual é a melhor maneira de consumir produtos que contêm glúten?

Certamente preferindo produtos que contenham farinha de grãos antigos, fermentados por um longo tempo com fermento natural levain. Os grãos antigos têm, de fato, um teor menor de glúten do que os grãos modernos, e o levain, através da longa fermentação das leveduras e das bactérias, pré-digere o glúten, em alguns casos tornando-o mais tolerável para nossos intestinos, mesmo para aqueles que sofrem de sensibilidade a glúten não celíaca.

Bibliografia:

Saiba mais:

Disclaimer: as informações desta matéria sobre sensibilidade ao glúten  são meramente informativas e não podem, de forma alguma, substituir uma consulta com seu médico, a quem você deve sempre se dirigir  para qualquer problema de saúde ou condição clínica.

Sensibilidade ao glúten

Você gostou do conteúdo dessa matéria?

Newsletter

Inscreva-se e receba todas as novidades e conteúdos em primeira mão na sua caixa postal.

Condivi - Compartilhe
  •  
  •  
  • 1
  •  

YOU MIGHT ALSO LIKE

Deixe uma resposta